>>> Início - Opinião

 

Opinião


Crônicas, matérias, textos...
Vale a pena pescar em Barcos-hotéis no Araguaia?
19/12/2013 10:23:39
Já há algum tempo – desde 2005! –, trabalhando de maneira informal como receptivo turístico no Araguaia, especificamente no suporte e orientação para grupos de pesca esportiva oriundos dos mais diversos pontos do país e até do exterior, termina-se por erigir uma base de conhecimento algo valiosa, que nos auxilia na compreensão e visão do que seja o “turismo” que vem sendo construído na região ao longo do tempo, com seus aspectos positivos e inevitáveis pontos que precisam ser melhor estudados e evoluídos.

Disto, talvez possamos construir um raciocínio que sirva de ponto de partida para a decisão de aficionados do “pesque e solte” ou visitantes em geral e meio de comparação com outras regiões, notadamente o complexo Paraná-Paraguai, aí se incluindo o Pantanal do Mato Grosso e a Amazônia propriamente dita – Manaus, rio Negro, Norte do Mato Grosso e Rondônia. Vamos lá...

Há contrapontos a considerar. O Barco-hotel, como suporte de hospedagem ao pescador esportivo é conveniente por pelo menos dois aspectos, a saber:

  • Não há necessidade de perder tempo com logística muito elaborada, já que todo o suporte é fornecido pelo equipamento... cama, mesa, bebida, canoa, piloteiro, combustível... até o tira-gosto entra na festa!
  • O Barco-hotel pode se deslocar até onde o peixe está ou bem próximo a isto, facilitando o acesso aos bons pesqueiros da região, gerando uma mobilidade que pode ser muito útil e proveitosa.
Além disso, com o Barco-hotel, o visitante sai das localidades ribeirinhas e pode conviver mais de perto com a natureza bruta e selvagem que compõe o ecossistema do rio. Isso pode ser valioso para quem quer tranquilidade e sossego! E mais, pode até superar os inconvenientes prováveis de uma suposta instabilidade climática, muito embora as estações climáticas no Araguaia sejam muito bem definidas.

Mas tem o outro lado da medalha... O Barco-hotel tem o inconveniente de requerer grupos maiores, em geral a partir de 10 componentes (os Barcos maiores só são viáveis além de 12 pessoas), pois em geral não são aceitos grupos mesclados ou diversos numa mesma viagem.

A espiral inflacionária também tem levado o custo a patamares pouco palatáveis, principalmente quando o grupo está abaixo da capacidade máxima da embarcação.

A dificuldade em obter períodos disponíveis compatíveis com as necessidades dos participantes dos Grupos é outro aspecto a considerar...

E, por final, os níveis de conforto que se pode obter nas embarcações atualmente disponíveis no Araguaia, que pode estar abaixo daquilo que seja desejado, em alguns casos.

Hoje, a maior parte dos Barcos-hotéis trabalha com cabines quádruplas e a grossa maioria, senão todos, utiliza o recurso de beliches para gerar economia de espaço; mesmo assim os camarotes são exíguos e pouco confortáveis com raras exceções. O horário de pesca é mais ou menos padrão e vai de 06:00 ou 07:00h até 12:00 ou 13:00h pela manhã e de 14:00 ou 15:00h até as 18:00 ou 19:00h no geral.

A pesca noturna é pouco praticada e, se desejada, em geral é negociada à parte com os piloteiros, que veem nesse recurso uma forma de ganhar algum adicional na viagem. As administrações dos Barcos-hotéis, em geral, não se envolvem nisso nem assumem qualquer responsabilidade em relação aos riscos que possam advir dessa prática.

No Araguaia os Barcos-hotéis praticamente não navegam no período noturno, só o fazendo entre 05:00 ou 06:00 até as 18:00 ou 19:00h, dependendo da claridade natural na época.

As reservas, e consequente fechamento dos pacotes são normalmente feitas com um ano ou até mais de antecedência e quase todos os Barcos-hotéis exigem um sinal (entre 20 e 30% sobre o valor total da contratação) para confirmação da reserva e bloqueio do período, com exclusividade para o Grupo contratante.

Alguns deles elaboram contratos formais com detalhamento de direitos e obrigações de ambas as partes (o Grupo, representado por um responsável ou líder, e em geral o proprietário da embarcação). Podem ou não ter as firmas reconhecidas em Cartório, o que confere maior credibilidade à contratação. É raro fornecerem Nota Fiscal ou documento equivalente válido, embora isso não signifique que trabalhem na clandestinidade. Talvez que seja mais falha de orientação e fiscalização das Administrações Públicas das localidades onde estejam situados.

A exemplo do que ocorre com os veículos automotores, o Barco-hotel também deve ter seguro obrigatório que cubra eventuais acidentes com a embarcação e/ou seus tripulantes e passageiros, porém, raramente se preocupam em contratar um seguro amplo e específico, que contemple a cobertura de acidentes pessoais eventuais com os hóspedes. Isto é bem raro mesmo.

Os pacotes também não abrangem traslado ou bilhetes aéreos, ficando este aspecto por conta do grupo ou eventuais receptivos e agências por eles mesmos contratados à parte.

Estacionamento de veículos, bem como a estadia/alimentação de motorista(s) são em geral responsabilidade do Grupo contratante e não do Barco-hotel, bem como não se inclui nos pacotes o equipamento e a licença pessoal de pesca, esta última obrigatória para a prática da pesca esportiva.

Levando-se em conta os altos e baixos da hotelaria presente nas beiras do Araguaia e os custos algo elevados que são em geral praticados, mormente se comparados com o Pantanal mato-grossense e Amazônia propriamente dita, é algo difícil ter uma resposta pronta e acabada para a conveniência ou não da pesca em Barcos-hotéis, porém esperamos que os elementos que colocamos acima possam ajudar o eventual visitante a se decidir e auxiliar na resposta ao questionamento que objetivou esta matéria.

Agora, já bem no “apagar das luzes" de 2013 tomamos conhecimento de um esforço no sentido de oferecer serviços aparentemente mais confortáveis e qualitativamente melhor focados no visitante por uma das embarcações existentes em Luiz Alves, Goiás.

O Barco em questão estaria em reformas já há algumas semanas, transformando suas cabinas quádruplas em duplas e oferecendo camas (casal e solteiro) em cada uma delas, ao invés de beliches, sem prejuízo da capacidade máxima (20 pessoas) da embarcação, que poderia inclusive ser ampliada em alguns casos. Isto é inovador e bastante interessante, pois poderia abrir espaço para o turismo contemplativo, essencialmente ecológico, sumamente desejado e hoje muito difícil de ser implementado no Araguaia, inclusive com foco no mercado externo.

A promessa é já operar dessa forma a partir de março do próximo ano e, obviamente, estaremos atentos à forma final que estes serviços tomarem, para estar avaliando e comentando em futuras matérias.

Vamos ver como evolui isto. Por enquanto, eu aposto no Barco-hotel como uma boa e promissora opção da pesca esportiva no Araguaia.


por: A.Coutinho

 :