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Opinião


Crônicas, matérias, textos...
O ano que ainda não acabou...
31/12/2013 16:24:45
Então, há pedaços do tempo que insistem em ser longos, torturantemente longos, e este ano que se esgota em horas, minutos e segundos últimos, é ou terá sido um deles, com certeza.

Um treze, na acepção da palavra... definitivamente um ano que não foi bom. Quase não vendi nada, os centavos foram apertados de cabo a rabo. Uma venda quase no apagar das luzes salvou o estômago da carência total de castanhas e avelãs nas vésperas de Noel, e foi tudo. Graças a Deus, houve ajuda externa, senão, teria sido mais que feio; trágico.

E olha que o início até que não parecia mau... em Março acabando, um sonho antigo e até pouco acreditado quase vira realidade... que um desastrado tombo de bicicleta matou impiedosamente! O de administrar uma pousada nas beiras do Araguaia. É, verdade pura e nua. Mas depois da poeira assentada e as proporções restauradas, paira a dúvida se teria sido um desastre ou um socorro... rsr... O "Barbudo", lá em cima, ainda escreve correto nas linhas tortas.

Depois a saúde me colocou em xeque. Simples assim. A série de exames enjoados, demorados e cansativos que já persistiam por mais de dois anos, culminaram com a imperiosidade de um tratamento fora de tempo e jeito... e sede! Crise ao quadrado... Se as coisas já andavam brabas, pior ficaram só com as perspectivas. Nem podia trabalhar direito e teria de arcar com despesas extras e inconvenientes ao extremo. E não adiantava pensar em correr... não havia para onde ir!

A única possibilidade: encarar... olhar de frente... enfrentar a crise. Mas antes, lá no início do percurso, já tomara uma cacetada de atordoar a mente e tirar o chão debaixo dos pés... a perda metafísica de uma filha mais que amada. E esse tipo de perda é pior do que perda física. Dói, fere, machuca, atordoa. Não é algo sequer para relembranças. Ponto final.

E assim nada parecia ajudar para que pudéssemos enxergar possibilidade de mudança nos rumos que o ano insistiu em tomar. Assim caminhou este 2013, assim chegou ao ponto em que está... nos limites de deixar de ser, de somar um, de sair desse 13 final que cansa e não deixa lembrança. Se Deus quiser.

Ah aninho sem noção... ano em que nem pedras o Araguaia mostrou e me fez perder a vontade de garimpar... é, vai indo até o garimpeiro mais tenaz e persistente cansa. Seria burrice persistir, claro!

Ano em que vi mais gente “de branco” do que suportaria ver em uma vida inteira... e gosto de vestir branco, mas não gosto de ver gente de branco, por mais gentil, atenciosa e solidária que seja! Trauma bobo, mas real. Me lembra uma dolorosa tarde, dia de São Jorge, no Hospital Getúlio Vargas, subúrbio do Rio, quase hoje complexo do Alemão. Eu, queimado dos pés à cabeça. Dor, desespero, desamparo e confusão. 1953! Sobrevivi. Sobreviveria a vários outros acidentes feios...

Mas confirmando o que tenho ouvido dos antigos... "não há mal que sempre dure... nem bem que nunca se acabe"! E é com algum prazer que vejo este ano encerrar-se. Bom, pelo menos espero ver... rsr...

A única coisa que se mantém firme é a fé que aprendi a ter em Deus. Sim, assim, sem o auxílio ou impecílio das religiões, sem aleluias, améns ou salamaleques, isto tem se mantido intacto e faz com que cada porrada que a vida me dá seja assimilada com coragem e estoicismo, sabendo que nada vem por puro acaso, e que, se vem é porque sem dúvidas podemos suportar. Enfiei na cabeça que vou viver rico, mesmo que nunca veja cifrões suficientes para que o mundo possa entender o que é isto! Morrer rico é irrelevante!

E agora, no apagar das luzes desse ano que insistiu em ser indigesto, o Araguaia dá mostras de querer subir como em 1980, época em que começou a se desenvolver a paixão que me trouxe a viver em suas beiras. Isso me alegra, é sinal de mudança, de novo tempo, de novas cores e outros sabores. Há luz afinal, em algum ponto distante... e nós vamos lá!

E assim, que venha o 2014, e que com ele estejamos, todos nós, não apenas eu, cheios de fé e coragem para levar adiante nossos sonhos e ilusões, já que o viver é dimensionado pela nossa capacidade em sonhar e iludir-se, acho.

Encerro este texto com um trecho curioso que diz: "...uma teoria há de ser mais simples que os fatos que explica. Deus (Abba) é tanto que é indemonstrável." (J.J.Benítez, citando Leibniz, in "Cavalo de Tróia 9, Caná" [Caballo de Troya 9 - Caná], pág.33).


por: A.Coutinho

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