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Opinião


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Violência, o que ainda temos a dizer?
08/04/2014 17:48:50
Pouca coisa. Mas vale a pena discutir o assunto, pois no trilheiro em que a coisa caminha, o cidadão - não importa se homem, mulher ou os modernos e opcionais gêneros alternativos -, está fadado a não sobrevivência digna.

A escalada vem de longe e sempre bem alimentada pela ausência de vontade política, baixos níveis de seriedade ao lidar com o assunto e formas equivocadas de balizar a questão. Em nossa modesta e insigne opinião, o maior erro de abordagem está em ver a violência como "coisa de outro planeta"... totalmente exógena ao ser humano.

A grande maioria dos que abordam a questão, partem do princípio de que o ser humano é um modelo de bondade e amante da paz. Bom, a história da humanidade... os fatos conhecidos da evolução humana gritam exatamente o contrário. A paz e a bondade só conseguem brilhar em páginas literárias, trovas poéticas, códigos teológicos... o que resta, sabe a sangue, suor e lágrimas.

Então pergunto: como abordar um problema se já partimos de uma fundamentação equivocada e uma conceituação a nosso ver incorreta? Penso que fica complicado. Não nos parece razoável pretender a verdade se temos como base a mentira.

Com nossa hipocrisia, travestida nos muitos “ismos” que rotulam as grandes estruturas de poder, continuamos tranquilamente a “lançar cristãos aos leões” no circus máximus da vida!

Daí para frente, é tudo um punhado de pontos inconsistentes... estatísticas incorretas e até fantasiosas... perspectivas maquiadas... dados falhos... nada bate, a não ser a dura realidade que cada um enfrenta e o preço que paga para... estar vivo!

Bom, dizer o que esteja errado não é muito difícil, basta se elevar acima do blá, blá, blá produzido para iludir, para protelar, para explorar o cidadão comum... um mínimo de inteligência e vivência fornecem o ferramental. Mas e as possíveis e supostas soluções? O célebre "o que fazer"? Podemos arriscar alguma coisa?

O primeiro elemento a ser considerado é uma antiga e constante conhecida... a educação. Sem olhar para ela, não há necessidade nem de abordar a questão. E essa educação começa lá no berço ou mesmo antes dele... na concepção do ser humano. E a sociedade moderna parece empenhada em detonar, explodir mesmo, a família... o que sugerem como substitutivo? O Estado? Puáaa!

Em sendo possível construir uma base educacional consistente, envolvendo o núcleo familiar e transbordando para a órbita social com a reestruturação da educação formal (escola em seus múltiplos graus e esferas), abordagem religiosa ou espiritual e formação política (moral e civismo) a questão da natural violência humana passa a ser uma faceta melhor equacionável.

Se for possível erigir uma sociedade onde o Estado ao invés de sufocar sua base populacional em proveito de uma minoria "esperta", corrupta e ambiciosa ao extremo, possa coexistir pacificamente com a nação, na busca de oportunidades e acesso ao almejado bem-estar - que sejam justas e iguais para todos -, já será além de meio caminho andado.

O bandido... marginal... cruel e sanguinário, não o é porque foi excluído ou dispõe de escassos recursos materiais e/ou financeiros. Seria muito fácil e conveniente rotular dessa forma. Impunidade, concentração de riqueza e poder, leis falhas ou mal produzidas, excesso de tutela governamental e discurso covarde produzem muito mais violência e consequente sofrimento humano.

Gerar mais leis, aumentar o aparato repressivo, construir cadeias, equipar agentes policiais ou assemelhados... nada disso irá resolver a questão. Mais fácil piorar o que insuportável já é! A questão da violência desafia a inteligência de seu agente e paciente: o ser humano.

Não será jamais possível equacioná-la com pensamentos e ações desprovidos de lucidez e razão. Conceitos tais como Moral, Honra, Honestidade, Caráter, Civismo e Coragem são ferramentas fundamentais nessa luta. Como eu falei, era pouca coisa o que tínhamos a dizer...


por: A.Coutinho

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