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Opinião


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A doce ilusão dos insensatos.
16/09/2013 14:33:42
"E Cabral, o português, saiu em busca de uma rota alternativa para as Índias...". Como esperar que uma terra, que nasceu sob o signo do engodo, da farsa, da fraude... fosse diferente da insana mentira que degustamos ao longo de mais de 500 anos?

Quando um candidato a legislador diz, em suas campanhas, que vai "trabalhar", que é "honesto", que seu mandato será "transparente"... nada mais faz que afirmar a tradição fundada a partir da tríade de naus portuguesas que aqui aportaram em 1500 e trocaram um país rico e grandioso por um punhado de miçangas, espelhinhos e outros penduricalhos idiotas.

E sempre haverá plateia ávida por aplaudir, com palmas, foguetes e votos, essas balelas mal contadas; engodo ilusório... alfafa doce para substituir a educação necessária, que poderia modificar os resultados decorrentes e sabores do breu provido pela ignorância asinina.

"Evoluímos" mais de meio milênio, apenas para descobrir que a modernidade nos trouxe Leis feitas por criminosos condenados... réus impunes... ou malas "debochados", abençoados e referendados pela suprema discórdia jurídico filosófica e pelo olor inconfundível do orégano.

Vivemos para assistir "trabalhadores" organizados em Partido liderado por indivíduos que podem ser tudo, inclusive "malas" articuladores inteligentes ou nem tanto, mas que no decorrer de poucas décadas tomaram de assalto todos os poderes da República! E não foi trabalhando, isto é visível.

Reinam no Executivo... abocanharam o Legislativo e... mais recentemente, fizeram a maioria no último baluarte que restava, o Judiciário. São os donos do país! De fato e de direito.

Disto, temos Leis que se deterioram, desmerecem e caem no ostracismo... totalmente inócuas... confusas, pífias... desrespeitadas até pelos que as fazem! Mas querem que os iludidos as cumpram.

O país onde sobra inteligência... neglicenciada e desperdiçada em todos os níveis e patamares, tem que engolir níveis de qualidade de vida absurdos e abjetos para o grosso de sua força de trabalho, por conta de uma elite malandra e parasita.

Critica-se pirataria e contrabando... ao invés dos escorchantes tributos que fazem do produto "legal" algo inatingível ou absurdamente imoral em termos de preço e qualidade comparados.

Pretendem desarmar o cidadão, enquanto bandidos e repressão, que garante o status quo, fazem a festa, uns com o que há de melhor provido pelo organizado crime e outros na linha tênue do fio da navalha... não raro, estressados por não saber direito a que servem.

Um lugar onde saúde é privilégio da elite, restando ao povo o ilusório direito de verter lágrimas e lamentar sua própria mansidão e apatia congênita, incurável.

A terra dos concursos, do emprego, da prestidigitação, do circo e da orgia das avenidas carnavalescas ou dos estádios suntuosos... Um país rico, belo, cujo povo é alegre, risonho e franco... solidário e brincalhão...

É, brincalhão ao ponto de pretender exigir desculpas formais por descobrir-se tecnologicamente espionado, esquecendo-se de que, os Sistemas Operacionais que animam e respondem pelo funcionamento e segurança de todos os seus computadores não foram criados pelos nossos gênios da bola!

Que as redes, softwares de criptografia, apps e penduricalhos cibernéticos que hoje ditam as regras mundiais da comunicação, na humanidade, não foi gerada ao som de nossos tamborins. Ao invés de pesquisa e desenvolvimento, para os quais nem recursos há, estávamos ocupados, engenhando o próximo bumba-meu-boi.

Focados na tradição agrícola alicerçada no escravagismo que começou lá na cana pernambucana, passou pela borracha e café e desembocou na soja e no gado, nos transformamos nos reis... das commodities. Belo reinado!

Não há do que reclamar... podemos constatar... e olhe lá! Resta nos embalar, em berço esplêndido, na doce ilusão dos insensatos.


por: A.Coutinho

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