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Opinião


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Dá para ser grande pensando pequeno?
16/06/2014 11:39:28
Pois parece que muita gente pensa que isto seja possível, sim... Ou então leva vantagens nisso!

Tem-se que identificar os "pepinos" para poder propor soluções... Estou daqui, ouvindo o indefectível "carro de som", aquele recurso de publicidade interiorana que, pensava, o advento da emissora local FM fosse eliminar e não eliminou.

Fala da exposição agro-pecuária local e suas atrações, tudo isso, claro, num volume incômodo, insuportável mesmo. Mas o que me ocorreu foi outra coisa...

Após proclamar o evento e discorrer sobre seu suposto conteúdo, o locutor relaciona um elenco de patrocinadores e apoiadores, dentre os quais se destaca a Administração Pública local, ou seja, a Prefeitura Municipal.

Ora, se a Prefeitura patrocina, o faz com recursos e meios públicos, em outras palavras, dinheiro nosso; do contribuinte... Isto é uma boa aplicação? Vale pensar com a serenidade possível.

Pode ser sim. No sentido em que tal evento gere retorno real para a atividade agro-pecuária - imagina-se, seu principal foco! -, desperte interesse turístico, promova o município de alguma forma positiva, contribua para a evolução do comércio e consequente arrecadação.

A pergunta inteligente seria: isto ocorre? Se ocorre, viva a Prefeitura... viva a Exposição pecuária. Mas se não ocorre... bom, seria talvez o caso de, pelo menos, gritar: "tirem a mão do meu"!

Daí, também poder-se-ia pensar sobre os demais eventos, quase sempre festivos, que o poder municipal prestigia com seu patrocinio e apoio, incluindo-se nisto as atividades da Temporada de Férias do Araguaia, na localidade de Luiz Alves.

Em que grau e com que eficiência é percebido o retorno desses investimentos, feitos, repito, com o nosso dinheiro (dos nossos tributos)? Há algum tipo de avaliação ou tabulação a respeito disto? Alguém já se preocupou em medir resultados? Ou isso também é "festa", para poucos convivas? Caso de ser questionado: por onde anda a Câmara Municipal e seus ilustres membros, também pagos por nós, munícipes!

Não há, necessariamente, um viés negativo na aplicação de recursos públicos para patrocínio desse tipo de atividade, mas quem qualifica e define isto é a avaliação de resultados. E o que se propõe é que isto ocorra. Seja cobrado de quem administra, ou deveria administrar, a coisa pública.

O curioso é que não se observa o mesmo interesse municipal por empreendimentos que poderiam trazer resultados consideráveis, positivos e sustentáveis, com reflexos diretos e indiretos no âmbito econômico e social da coletividade.

Quantos interesses reais e negócios com boas perspectivas já foram por água abaixo por aqui nos últimos 20 anos? Alguém já parou para pensar nisso? No porquê empresas pequenas, e até nem tão pequenas assim, abrem hoje e quando pensamos que estariam se desenvolvendo, definham, já fecharam ou "bateram as asas"! Se for buscada a ponta do lápis, provavelmente o volume irá superar as estatísticas nacionais, proporcionalmente, da FGV ou mesmo do SEBRAE, que tem um balcão local!

A sociedade tem evoluído? Quem observa a praça principal da cidade, hoje, nas noites de sábado e domingo, talvez possa traçar um paralelo entre o que se observava nos idos de 1980 e até antes... e pasmem, a energia elétrica era fornecida por gerador, naquela época! A praça hoje é linda, tem até fonte luminosa, mas perdeu seu elemento principal... gente! Alguém já parou para pensar nas razões?

A pergunta que não quer calar... porque a Prefeitura Municipal não incentiva empreendimentos locais? Porque não investe - nunca investiu! - em isenções tributárias inteligentes para atividades estratégicas, tal como poderia ter sido considerada a tecnologia da informação em passado recente, indústrias de transformação com suporte na agro-pecuária, indústria do turismo... apenas para citar algumas?

Porque o privilégio das "festas", em detrimento de atividades que, penso, trazem muito mais benefício de médio e longo prazo? Porque promover e apoiar carnaval na beira do Araguaia e não a implantação e aparelhamento de empreendimentos de hotelaria, por exemplo?

Qual o sentido em patrocinar a barulheira de "trios elétricos" e não investir na inovação do turismo essencialmente ecológico, já tentado e sem o menor apoio de quem quer que seja no município ou mesmo no Estado?

São coisas para se pensar. O que conversamos aqui está fundado no que vemos ocorrer em um município do interior brasileiro, nos últimos 20 anos. Município grande em tamanho territorial, porém pequeno em eficiência administrativa e sustentabilidade.

Isto pode ser ampliado para um leque imenso que ressalta o quanto desperdiçamos em recursos, meios, vontades e talentos. Como ser um país grande, se não usamos bem o que temos e insistimos em pensar pequeno?

Sei não, mas enquanto não houver preocupação em equacionar essas coisas, o jeito é se resignar a assistir jogos de futebol e ver a Presidente do país ser vaiada e xingada a plenos pulmões... Tristeza...


por: A.Coutinho

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